segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Fogo da Transformação
Você não vai.
Você tem certeza de que sabe de onde veio?
Você não veio.
Sempre esteve, e sempre vai estar
Trágica limitação essa de não conseguir conceber a eternidade
Nada foi criado
Tudo sempre existiu
O fogo é o Deus transformador
Ele é o inatingível quebra-cabeça mágico de todas as certezas
Pretencioso é o ser humano
Não vejo mérito menor em uma planta
Posso até dar uma qualidade maior a sua existência
Quanto mais distante o fogo, mais lentamente se processa a transformação
Pois então!
Somos animais de sangue quente
O aquecimento é necessário
Devemos nos confortar com a incapacidade de prolongar nossa existência
Não depende de nós
Queimemos com a consciência do que verdadeiramente somos
O que chamamos de universo
Aproveitemos todos a oportunidade de sermos éticos
Oportunidade que o tempo de nossa consciência humana nos impõe
Eternos, sim
Mas não como humanos
Aproximem-se do fogo sem receio
Mais tempo viveremos a realização na alegria de ser e estar, aqui e agora
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
saber é recordar-se
Que os muros não sejam obstáculos à liberdade
E as grades sejam apenas lembranças da paisagem das antigas grandes cidades
Pois ainda que reconheça sua injustificável utilidade presente
Recordo-me com indesejada precisão
Dos seus angústiantes abraços diários
Quero estar liberto mesmo em meio as grades
Observar com indiferença os muros dessa paisagem atual
E mesmo que não possa negar o conhecimento adquirido
Que representem para mim
Apenas amontoado de tijolos e ferros retorcidos
trekking etílico de um solteiropolitano
Na trilha do bar
Me perco de vez em quando
As vezes indo
As vezes voltando
Encontros
Dozes de cachaça
Dozes de loucura
Idéias super criativas
Discursos de rampeira
E como já ha muito acostumado
Projeto o meu futuro baseado no passado
Baseado
Então a ansiedade diminui
Pensamentos se tornam mais comedidos
A mente ferve criativa
Sinto o cheiro de corpo
Aquele cheiro que tem o corpo das gostosas
depois de umas e outras
Numa orgia mais que dispendiosa
Mas aquela única insiste
Sabota minha solitude
Irritado
Fico triste
Já não falo
Já não ouço nem o meu pensar
Tô quase tão quente quanto essa pinga
Melhor deixá pra lá
Talvez uma outra
Mais gelada
Talvez cicuta da madrugada
Melhor amadurecer primeiro
Ou correr o risco de beber sempre da mesma cachaça
Ao menos ainda consigo limpar o cinzeiro
Dos cigarros que fumei de graça
Tenho ânsia de vômitar
Preciso tomar cuidado
Pronto
Tô ficando mais irritado
Um sorriso insano num vislumbre lúcido
Jaz
Já tô pouco me lixando pras espirais da vida
E o passado insiste
O álcool parece me ajudar a entender que estou aqui agora
E que neste exato momento
Sou apenas um telefone celular
Que não toca
Dando toques desvairados
Sem esperanças
E quase realizado
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O Superoutro
Direção: Edgar Navarro (1988)
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Quebrando os ciclos das reencarnações
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Brotando
Uma semente
Que começa a brotar aos trinta e quatro
Buscando intuitivamente a realização
Do amor no outro
No amor do outro
Brotando
percebo que o amor que recebo
É o mesmo que tenho agora dentro de mim
Enquanto semente
Estive protegido
Fechado
Precisava do sol
Agora broto
Exposto
Quero dançar ao sol
Espero paciente o momento de desabrochar
Encontrar outras flores
E dançar ao vento
Sem ciúme
Pois o ciúme fede
Prefiro sentir o perfume das flores
domingo, 9 de agosto de 2009
Paranóia Delirante
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
Delírios Amororsos
Primeiro a lua-de-mel
Depois o matrimônio
Que os tribunais criem mais impecilhos
Inibindo o romantismo
Poetas nunca foram bons maridos
Que venha um estado de espírito prosaico
Porque a vida do dia-a-dia
Se parece mais com a prosa do que com a poesia


