sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Rebordosa


Só quem já teve muitas rebordosas sabe o que elas representam e reconhece suas sequelas.
Depois de muitas experiências semelhantes, posso perceber com mais clareza, que, o momento mais dramático da queda é precisamente aquele que o bicho (medo) pega.
Esse medo que alerta sobre a possibilidade da aquisição de múltiplos traumas, configura-se como uma grande vantagem para alegria da torcida do Salvador Karatê Esporte Clube.
Durante estes agonizantes ferrenhos minutos de angustia envelheço no mínimo um ano!
Precisamente dez minutos depois de acabar com a 'brincadeira' o corpo implora descanso (depois de saciadas as suas irreais necessidades, é claro).
Cruéis se tornam meus olhos nestas circunstâncias, que além de estamparem uma tristeza quase suicida, me torturam abertos.
O coração bate forte e descompassado.
Morro lenta e dolorosamente até dormir, pra que mais tarde possa acordar cansado, porém, um pouco mais aliviado.
Sei que não vou enlouquecer right now.
Mas de onde vem essa força sobrenatural? Essa força que me ajuda na fuga de uma loucura reconhecidamente doentia?
O arrependimento nem ousa mais manifestar-se diante de tanta repetição. E eu posso então constatar o ser humano medíocre que me permito representar.
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Obs: Essa experiência se assucedeu ante-onte.
Agora que já passou a gente pode descontrair com um vídeo bacana... Ótima dica para os cinéfilos de rebordosa, hehe


terça-feira, 17 de novembro de 2009

Bronca



















Vejo muitos avalistas de uma moral convenientemente fragmentada
Náufragos
A deriva numa tempestade de equívocos conceituais
Tão cheios de certezas
Realizados no salário de suas dignas profissões
Casas, carros, roupas...
Fardamento completo atestando sua participação na turma dos bem sucedidos burgueses desaculturados

Sentei-me numa daquelas barracas pra granfino "bombar" no final de semana da Praia do Flamengo.
Tentava manter-me indiferente às pessoas que começavam a chegar nas mesas ao meu redor, porém não pude deixar de perceber a maneira rude como uma mulher tratava sua pequena filha. Ela, me parecia, estava numa batalha sangrenta, onde o inimigo, invisível, atacava de todos os lados.
O olhar de desprezo com que ela metralhava os menos dignos de sua consideração me deixava cada vez mais irritado.
Pose ela tinha de bocado.

Resolvi deixar de implicar com aquela criatura desprezível e procurei me concentrar novamente no livro, lamentando somente a péssima companhia que aquela senhora proporcionava para sua pequena filha.
Poucos minutos bastaram pra que eu percebesse a tarefa impossível que seria tentar me concentrar em algo mais que não fosse a música da barraca. Então fui embora... Antes lamentando os duzentos decibéis no ouvido da garotinha".

Esse vídeo mostra como os exemplos dos pais são importantes na formação da personalidade das crianças. Vale à pena dar uma olhada.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

É possível julgar a obra de arte?














Se a arte não pode ser julgada ela se torna banal. O banal é aquilo que não merece julgamento.
O que interessa na verdade é a sociabilidade do julgamento do gosto.
Se eu acho algo belo e o outro diz que não é, o que temos em comum é a possibilidade racional da existência da beleza, mas também é racional que nós possamos discordar e concordar.
Ora, é porque vivemos em debate que somos seres humanos.
Julgar é um dever pelo fato que nos põe diante do outro.
Essa maneira livre e desinteressada de ver a arte não termina no gozo estético, mas na comunicação de seu entusiasmo ao outro e ao mundo que habita.

“Se acharmos algo belo é porque a Terra é conforme ao homem” KANT

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Confissão














Vou confessar uma coisa pra vocês
Com a coragem de quem se despi
E com graça se despede de seus farrapos

Nunca fui de muitas certezas
Porém, hoje afirmo convicto
Fui por opção, um adicto politoxicofílico

domingo, 8 de novembro de 2009

Força do pensamento















Cheguei no sagrado com maturidade
Fiz meus feitiços
Mandingueiro que sou pedí perdão
E além de proteção, os benefícios

Eu que sou popular
E fíga nunca carreguei
Prezo minha fé, que é meu patuá, pois corpo fechado nunca tive

De gente, às vezes a gente evita até o olhar

Aquele olhar de quem prepara o bote
Dessa gente, que se encarregue a sorte, a peste ou a morte

Maldade de alma cebósa é pensar

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Amizade














Somos quase sempre tão sinceros
E quase nunca sentimos, de verdade
Talvez saiba por que te digo isso,
Amizade

Se for pretexto pra quem deseja
Intencionalidade,
Acaba dando no mesmo

Ciúme não precisa de justificativa,
Né, Amizade

Flechacerteira
Guiando a esperança de quem lamenta essa espontaneidade
Ai se cêsse só criatividade!

Já tô falando besteira
OMMMMMMMMMMMMMMM
Vou medeitar sobre isso, visse, Irmandade

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Fogo da Transformação

Quer saber pra onde você vai depois do seu último suspiro?
Você não vai.

Você tem certeza de que sabe de onde veio?
Você não veio.

Sempre esteve, e sempre vai estar
Trágica limitação essa de não conseguir conceber a eternidade
Nada foi criado
Tudo sempre existiu
O fogo é o Deus transformador
Ele é o inatingível quebra-cabeça mágico de todas as certezas
Pretencioso é o ser humano
Não vejo mérito menor em uma planta
Posso até dar uma qualidade maior a sua existência
Quanto mais distante o fogo, mais lentamente se processa a transformação
Pois então!
Somos animais de sangue quente
O aquecimento é necessário
Devemos nos confortar com a incapacidade de prolongar nossa existência
Não depende de nós
Queimemos com a consciência do que verdadeiramente somos
O que chamamos de universo
Aproveitemos todos a oportunidade de sermos éticos
Oportunidade que o tempo de nossa consciência humana nos impõe

Eternos, sim
Mas não como humanos
Aproximem-se do fogo sem receio
Mais tempo viveremos a realização na alegria de ser e estar, aqui e agora

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

saber é recordar-se


















Que os muros não sejam obstáculos à liberdade

E as grades sejam apenas lembranças da paisagem das antigas grandes cidades

Pois ainda que reconheça sua injustificável utilidade presente

Recordo-me com indesejada precisão


Dos seus angústiantes abraços diários

Quero estar liberto mesmo em meio as grades

Observar com indiferença os muros dessa paisagem atual

E mesmo que não possa negar o conhecimento adquirido


Que representem para mim


Apenas amontoado de tijolos e ferros retorcidos



trekking etílico de um solteiropolitano














Na trilha do bar
Me perco de vez em quando
As vezes indo
As vezes voltando

Encontros
Dozes de cachaça
Dozes de loucura
Idéias super criativas
Discursos de rampeira



E como já ha muito acostumado
Projeto o meu futuro baseado no passado

Baseado

Então a ansiedade diminui
Pensamentos se tornam mais comedidos
A mente ferve criativa

Sinto o cheiro de corpo
Aquele cheiro que tem o corpo das gostosas
depois de umas e outras
Numa orgia mais que dispendiosa

Mas aquela única insiste
Sabota minha solitude
Irritado
Fico triste

Já não falo
Já não ouço nem o meu pensar
Tô quase tão quente quanto essa pinga
Melhor deixá pra lá

Talvez uma outra
Mais gelada
Talvez cicuta da madrugada

Melhor amadurecer primeiro
Ou correr o risco de beber sempre da mesma cachaça
Ao menos ainda consigo limpar o cinzeiro
Dos cigarros que fumei de graça

Tenho ânsia de vômitar
Preciso tomar cuidado
Pronto
Tô ficando mais irritado

Um sorriso insano num vislumbre lúcido
Jaz
Já tô pouco me lixando pras espirais da vida

E o passado insiste

O álcool parece me ajudar a entender que estou aqui agora
E que neste exato momento
Sou apenas um telefone celular

Que não toca
Dando toques desvairados
Sem esperanças
E quase realizado

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O Superoutro

Direção: Edgar Navarro (1988)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Experimentação



Quero renovar minhas volúpias
Gozando da máxima flexibilidade de minhas afeições morais